20.12.06

Êxtase

Isso que dá ficar desejando trabalho: Três longas semanas sem nenhum descanso, exceto por uma curta tarde de terça-feira. Domingo a domingo, das nove às oito pelo menos. Fim de semana é uma sabedoria - disseram - é empírico: o corpo precisa.

Esforço hérculeo. Todo esse tempo apagando incêncio sem conseguir ver o fim e, de repente, essa tarde tudo parece controlado. No fim dela o trabalho ainda era razoável, mas já está tudo organizado e uma paz começa a querer ganhar espaço em meio à tanta adrenalina e tumulto interior.

Saio da produtora e começo a voltar andando para casa. Já estava coberto de suor do abafado do dia. O cansaço é tanto que torna-se bom: ando e não sinto minhas pernas: quebrei a barreira do esforço e agora me sinto anestesiado. Ainda curtindo esse sentimento, termina a música e no meu rádio começa a tocar "Carta ao Tom 74".

Nesse momento, enquanto um riso força através do meu rosto, uma leve e bem vinda chuva começa e me molhar devagar. Apaga o calor que me perseguiu dia e noite essa semana e facilmente entendo o sentido de lavar a alma. Todo cansaço transmutá-se em uma felicidade que me toma completa e repentinamente.

É uma iluminação. Um pequeno nirvana. A música ainda toca e me alegra. Sigo meu caminho calmamente sob a breve chuva doce. Sorrio e sou feliz.

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