Um dia eu ainda te conto o que se passava por trás de tudo o que a gente fez naqueles anos loucos. Um dia. Acabei ficando mestre em saber o que se passava por trás. Não tudo, claro, pois ninguém sabe de tudo, mas eu sabia de tanta coisa. Não podia contar, claro, mas isso faz parte de saber das coisas: é importante saber o quanto se pode contar. Quem for esperto que pegue o resto no ar. Se as pessoas vieram me contar, eu preciso guardar segredo.
E vinham logo à mim que adoro dar conselhos mesmo sabendo que sou uma das piores pessoas no mundo pra isso. Afinal, sou modelo pra quem? De que? Eu devia ter um aviso estilo aqueles do ministério da saúde escrito na camiseta: Cuidado, conselhos baseados em conceitos metafísicos de uma mente deturpada. Não me responsabilizo se sua vida turn into a total mess. Já disso eu entendo...
Deve ser essa cara de sério que quem não me conhece muito bem acha que eu tenho. É só fachada. Por trás dela tem um cara que ainda não entendeu. Lembrei de um amigo falando: "Olha. O cara toca bem pra caralho, mas falta a genmialidade, sabe? Ele nunca entendeu do que aquilo se tratava...". Fiquei com medo. Sempre fui meio lerdo pra pegar as coisas, mas ainda restava uma ilusão que mais cedo ou mais tarde sempre acabaria pegando. Não é sempre o caso. Por isso me agarro ao que que sei, e o que eu sei é o que os outros me contam. Ou ao que eu deduzo, porque às vezes eu pego. Ou acho que pego, pode estar tudo errado. De qualquer jeito, se você ainda quiser saber, um dia eu ainda te conto.
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