De repente, numa dessas ruas de São Paulo que parecem a 25 de março - todas as ruas de São Paulo perto do Natal parecem a 25 de março, exceto ela mesma, que por sua vez parece Tokyo ou algum lugar da China, ou a imgaem que eu tenho da China com milhões de pessoas por metro quadrado - mas estou divagando...
De repente, percebí que eu não desejava mais nada. Mais uma pessoa me perguntava se eu queria algo de Natal e nada me vinha à mente. No outro dia entrei no Stand Center - antes mil desejos - e agora nada.
Mentira: desejei comprar tanta coisa para dar de presente. Via as coisas e nelas a caras de amigos e parentes. Quis comprar tudo e mandar em brulhar para presente com grandes laços e papéis coloridos, mas nada me atraia. Lembrei imediatamente da minha Vó, que sempre gostou mais de dar presente do que ganhar. Exceto flores.
Pensei que talvez esse fosse finalmente meu rito de passagem. Terei enfim eu entrado na fase adulta? Duvido... mas é certo que nesse momento comecei a ver as coisas de uma forma diferente. Ví de alguma forma a impotância de ver as pessoas felizes e, principalmente, que se eu tivesse um papel nisso seriam lembranças maravilhosas. Comecei a pensar nas pessoas recebendo os presentes que eu não comprei e como elas sorriam.
Percebí que às vezes não precisa ser algo comprado: muitas vezes é algo dito ou escrito ou mesmo calado. Lembrei da minha vó novamente e lembrei das flores. Me dei conta, de repente, que os únicos investimentos que valem a pena são em lembranças e sorrisos.
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