Às vésperas do encontro inevitável com o juiz de minha alma, é impossível não parar para refletir.
Nunca foi hipócrita pra dizer que não me arrependo de nada. Tenho certeza que com minha visão de hoje, tomaria algumas decisões diferentes no passado, mas certamente com mais coragem faria outras escolhas mesmo com a cabeça da época...
Lutei pra sobreviver fazendo o que gostava e hoje me esforço pra não abandonar o sonho mesmo sobrevivendo. Parece mais fácil, mas é mais difícil. Não reclamo - embora esse seja quase um vício meu - pois sei hoje que toda reclamação contra tudo e qualquer um é uma reclamação contra minha própria inércia.
Aprendi a esperar e ainda sou ansioso. Aprendi a analisar e ainda sou impulsivo. Sou muitas vezes inocente, mas num momento que passo apenas por bobo.
Sei que o tempo de fazer tanto já passou, mas ainda resta algum pra eu tentar fazer alguma coisa. A perda de tempo só serve para me impulsionar um pouco mais forte em direção ao que quero. Em contra-partida apenas me conheço um pouco melhor. Continuo me apoiando no tripé de família, amigos e meu lado individual, dividindo o peso entre outro dois quando um deles não vai bem, mas tentando sempre um equilíbrio.
Se encontro hoje não fosse comigo mesmo, mas com o Ceifador Implacável, minha alma estaria leve (salvo pela adega que está felizmente pesada). Ao sair de casa ainda sinto o vento batendo no rosto e isso me é suficiente pra ser feliz.
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