Era um ciclo que se fechava. Era tão simbólico e eu nada conseguia sentir em relação à todas essas coisas da metafísica.
Estávamos novamente no átrio onde nos encontramos pela primeira vez. Em meio a todos aqueles corredores que pareciam levar ao infinito e rodeados pelos sussuros das muitas pessoas que conversavam sem que conseguíssemos precisar exatamente aonde.
Lembrei imediatamente do nosso primeiro encontro - do qual, pra mim, só restavam olhares - e como um filme acelerado toda nossa breve, porém intensa, vida me voltou à mente.
Nunca fui bom com análises, mas de repente tudo estava perfeitamente claro: desde o momento que todas nossas aspirações pareciam as mesmas uma sincronicidade que nos fazia acreditar em tudo que se fala de amor a primeira vista até o momento em que começamos lenta, mas certamente a nos afastar, trilhando cada um o caminho que acreditava ser certo, sem perceber que íamos abrindo mão um do outro.
O sentimento que pulsava em mim em nossa despedida, um sentimento de que havia sido traído no meu amor e na minha dedicação de súbito abrandaram. Não foi ela. Não fui eu. Foi, de certa forma de comum acordo. Nós dois deveríamos saber que rumo tomávamos. Hoje eu sei.
Como no encontro, os olhares prevaleciam. Dessa minha revelação consegui quebrar o fardo de decepção e esbocei um sorriso. De uma surpresa, o rosto dela também se abriu em sorriso. Cada um seguiria o seu rumo, mas o que houve de bom pesava mais do que as desavenças.
E com isso - sem dizer nem mais uma palavra, sem promessas de se rever ou qualquer plano - nos separamos.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário