18.5.06

Vacuo

Estas palavras são toda minha vida. Mais, na verdade, porque essas palavras vão muito mais longe do que eu.

Que posso desejar mudar com essas palavras se só eu as leio? Deveria publicá-las num fanzine ou guardanapo de papel.

Quem aceitaria um escritor que não tem nada a dizer, ou pior: tem, mas o que diz é nulo? Essa é a história da minha vida, fiz tanto, mas tudo que fiz era nada. Tudo foi menos que uma tarde numa Tabacaria. E ainda assim tenho potencial. E o terei até julgarem que já deveria tê-lo usado e nunca soube como.

Poderia ter seguido qualquer caminho – afinal já trilhei tantos – e tentar ser algo, mas tentei ser especial e fui nada.

E há tantos que são nada, vivendo como se fossem o certo; talvez descubram um dia não ser nada ou despertem e consigam ser algo. Eu viverei sabendo que o quê vivo é um vácuo.

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